Escola Bíblica Dominical

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14/05/17: LIÇÃO 7 – RUTE, UMA MULHER DIGNA DE CONFIANÇA

Texto Áureo Rt. 1.16

Leitura Bíblica  Rt. 1.11-18

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, daremos continuidade aos estudos sobre o caráter do cristão, desta feita, nos voltaremos para Rute, uma mulher de Deus. Inicialmente, apresentaremos algumas informações a respeito dos desafios pelos quais ela e Noemi, sua sogra, passaram. Em seguida, ressaltaremos a aliança que essas duas mulheres fizerem, com destaque para a decisão de Rute, de ficar ao lado de Noemi, mesmo diante da adversidade. E por fim, mostraremos que Rute foi uma mulher que foi agraciada por Deus, passando a fazer parte da linhagem do Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

1. RUTE, UMA MULHER DE DEUS

O nome de Rute significa “amizade”, e na verdade, foi isso que ela demonstrou ser ao longo da sua vida, especialmente em sua aliança com Noemi. Ela era uma mulher moabita, um povo que historicamente era adversário de Israel. É paradoxal que uma mulher que fazia parte dos inimigos de Israel tenha participado da história da salvação. Essa é uma demonstração da graça de Deus, não apenas para os israelitas, mas para todos os povos. A história de Rute está no contexto de uma família judaica que precisou sair de Belém a fim de fugir da seca. Elimeleque, que era o esposo de Noemi, e seus dois filhos, Malom e Quiliom, partiram para a terra de Moabe, a fim de sobreviverem a escassez. Essa família tomou uma série de decisões equivocadas, além de terem saído do seu lugar, os filhos desse casal se casaram com mulheres moabitas. Malom se casou com Rute, e Quiliom casou-se com Orfa. Tempos depois, os maridos dessas mulheres vieram a falecer, não por causa da desobediência. Pelo menos não temos fundamento bíblico para fazer esse tipo de afirmação. Fato é que por causa da morte deles, elas ficaram desamparados, considerando que o próprio Elimeleque também faleceu. Após dez anos, o povo de Israel passou a desfrutar de fartura, favorecendo o retorno de Noemi para sua terra (Rt. 1.6). A viúva de Elimeleque decidiu desobrigar as duas noras, caso elas desejassem poderiam ir para Belém, mas se preferissem poderiam ficar em Moabe (Rt. 1.7). Vale a pena ressaltar que Belém, em hebraico, significa “casa de pão”, e justamente nessa cidade nasceu o Pão da Vida (Jo. 6.30.-34).

2. RUTE, UM PACTO DE FIDELIDADE

Em Rt. 1.14, está escrito que, depois de Noemi dispensar suas noras, “levantaram a sua voz e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra; porém Rute se apegou a ela”. É bastante compreensível, da perspectiva humana, a decisão de Orfa, pois ela recorreu a lógica, por isso seguir “aos seus deuses” (Rt. 1.15). Mas Rute pôs sua confiança no Deus de Noemi, por isso declarou: “Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu (Rt. 1.16). Essa também é uma demonstração de identificação de Rute com a sua sogra, e de respeito pela experiência que tiverem juntas, sobretudo nos tempos difíceis. É bem provável que Noemi já estivesse com a idade avançada, carecendo de maiores cuidados de uma pessoa mais jovem. Como ela não tinha mais marido e filhos, Rute tomou a decisão acertada de ficar ao seu lado. O exemplo de Rute deve inspirar todo aqueles que convivem com pessoas idosas, que se encontram em condição de dependência. Há uma tendência de descartar as pessoas na sociedade individualista e pragmática na qual estamos vivendo. Aquelas que não mais produzem, às vezes, são tratadas como escória. Rute nos lega um modelo de sensibilidade, principalmente de empatia para com as pessoas mais necessitadas. Ela identificou-se não apenas com o sofrimento de Noemi, mas com o seu Deus: “o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt. 1.16). Precisamos de pessoas de princípios nesses dias tão difíceis, e que estejam alinhadas com a Palavra de Deus, e que se identifiquem com aqueles que sofrem. Rute estava realmente decidida, por isso afirmou: “onde quer que morreres, morreirei eu e ali serei sepultada; me faça assim o Senhor e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt. 1.17).

3. RUTE, NA LINHAGEM DO SALVADOR

A decisão acertada de Rute fez com que ela viesse a fazer parte da genealogia do Salvador e Senhor Jesus Cristo (Mt. 1.5). Depois de chegar em Belém, Rute foi alcançada pela providência divina, que a ninguém desampara. Ela mostrou ser uma mulher proativa, e começou a trabalhar, a fim de encontrar uma alternativa. A esse respeito é importante lembrar que a providência de Deus trabalha em conjunto com a atuação humana. O trabalho deve ser visto como uma benção divina, considerando que o próprio Deus trabalhou (Jo. 5.17). Paulo foi enfático ao declarar aos tessalonicenses que aqueles que não querem trabalhar também não devem comer. E mais, que devemos trabalhar sempre para não servir de fardo para os irmãos da igreja (II Ts. 3.2). Contudo, devemos também lembrar que existem pessoas que não estão trabalhando por causa do desemprego que grassa nosso país. Por direção de Deus, Rute foi rebuscar espigas no campo de Boaz, sendo este “da geração de Elimeleque” (Rt. 2.3). Havia uma lei em Israel que possibilitava a remissão de um parente, para que a posteridade desse fosse preservada, através do casamento com alguém da família do falecido. Boaz desposou Rute, a moabita mulher de Malom, para que o falecido suscitasse descendência. O casamento entre Boaz e Rute seguiu todo o ritual legal estabelecido para que essa viesse a dar filhos ao marido. Como resultado, Rute se tornou mãe de Obede, sendo esse o pai de Jessé, que foi pai de Davi. Por conseguinte, essa mulher determinada se tornou a avó daquele que seria o rei mais amado de Israel. E muito mais importante, comporia a genealogia de Jesus, o prometido para salvar Israel, e a todos que nEle creem, dos seus pecados.

CONCLUSÃO

A vida de Rute serve de inspiração para todos aqueles que passam por situações de adversidades, e que decidem confiar em Deus, ainda que as circunstâncias não sejam favoráveis. E mais, que Deus nos surpreende com a Sua providência, de modo que pode transformar em comédia situações que sejam aparentemente trágicas. De igual modo, nós que outrora estávamos distantes dos planos de Deus, fomos agraciados em Jesus Cristo, e alcançados por Sua maravilhosa graça.

07/05/17: LIÇÃO 6 – JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE

                   Texto Áureo I Sm. 18.3

Leitura Bíblica  I Sm. 18.3,4; 19.1,2; 20.8-32

INTRODUÇÃO

Lealdade é uma qualidade cada vez mais escassa na sociedade individualista na qual vivemos. Por isso, na aula de hoje, estudaremos a respeito de Jônatas, o filho do primeiro rei de Israel, como um exemplo de lealdade a ser seguido. Aprenderemos que a amizade genuína e sincera deve ser cultivada, principalmente nos momentos de adversidades. Destacaremos, nesta lição, as qualidades de Jônatas, sua coragem, humildade e lealdade.

1. JÔNATAS, O FILHO DE SAUL

Jônatas foi o filho primogênito do primeiro rei de Israel, Saul. Ao invés de seguir o exemplo do pai, que começou servindo ao Senhor, mas depois se distanciou dEle, Jônatas percebeu, desde cedo, que seria preciso aprender a identificar a vontade de Deus. Seu nome, em hebraico, significa “dado por Deus” ou “presente de Deus”. Ainda jovem, começou a batalhar pelo exército de Israel, a fim de defende-lo das ameaças dos inimigos, especialmente dos filisteus. Em I Sm. 14.1-14, há um registro da bravura deve homem de Deus, que lutou, apenas com seu escudeiro, contra os filisteus em Micmás. Isso mostra que ele sabia como lutar, e o valor das habilidades na guerra, por isso ficou impressionado com a desenvoltura de Davi, o jovem pastor de rebanhos, que lutou contra o gigante Golias (I Sm. 17.1-3). Aquele gigante filisteu afrontou o exército do Deus Vivo, e nenhum entre os soldados teve coragem suficiente para enfrenta-lo. Davi, ao chegar naquele campo de batalha, percebeu a humilhação pela qual o povo de Deus estava passando, e se dispôs a lutar contra o inimigo. A armadura de Saul lhe foi oferecida, mas essa não serviu para ele, certamente porque estava preparado com as armas que Deus havia lhe dado. Ele usou apenas sua funda, e com uma pedra certeira, acertou a cabeça do gigante, que veio por terra, sendo decapitado pelo próprio Davi, como troféu. O povo de Israel ficou deslumbrado com a coragem daquele jovem, Jônatas reconheceu, por meio daquele ato heroico, que Deus tinha um plano na vida de Davi.

2. UM EXEMPLO DE LEALDADE

Desde então, Jônatas decidiu ser leal a Davi, isso mesmo, a lealdade é um ato de decisão, não apenas de sentimento. Uma pessoa leal, de acordo com a definição dicionarizada, é alguém que tem probidade, isto é, que honra com seus compromissos, que não se distancia dos seus princípios. Essa é a uma qualidade cada vez mais rara na sociedade contemporânea, as pessoas se tornam volúveis diante das ofertas que se apresentam. A amizade, em uma conjuntura na qual as pessoas apenas veem interesses pessoais, está cada vez mais difícil. Há quem tenha cinco mil amigos nas redes sociais, mas não possa contar cinco nos dedos das mãos. Existem várias passagens bíblicas no livro de Provérbios que ressaltam a importância da amizade. O autor ressalta que o amigo ama em todos os momentos, é um irmão na adversidade (Pv. 17.17). Existe casos em que há amigos que são mais achegados do que um irmão de sangue (Pv. 18. E mais, que quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos (Pv. 27.5-6). Davi e Jônatas foram verdadeiros amigos. O narrador bíblico declara a respeito dessa amizade que “sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou com à sua própria alma” (II Sm. 18.1,3,4). Como demonstração de uma aliança entre eles, Jônatas entregou a suas vestes e equipamentos de combate a Davi (I Sm. 18.3,4). Por ocasião da morte de Jônatas, na batalha com seu pai Saul, Davi declarou que o amor daquele ultrapassava o das mulheres (II Sm. 1.26). Há quem queira comprovar, através dessas passagens, que existia um relacionamento homoafetivo entre Davi e Jônatas. Mas não há qualquer comprovação exegética a esse respeito, considerando que essa era uma prática considerada pecaminosa em Israel (Lv.  18.22; 20.13). Além disso, os termos hebraicos usados em tais passagens não fazem alusão ao ato sexual, mas a um relacionamento amigável, com demonstração de lealdade.

3. A SER SEGUIDO POR NÓS HOJE

A lealdade de Jônatas a Davi é um exemplo a ser seguido, especialmente no contexto do individualismo contemporâneo. Mesmo sendo o príncipe de Israel, o provável sucessor do trono, filho do rei Saul, Jônatas demonstrou ser humilde, e soube reconhecer os desígnios de Deus para a vida de Davi (I Sm. 16.1,12,13). Existem muitas desavenças no meio evangélico, até mesmo entre os obreiros, por causa da disputa por cargos e posições. A política partidária, bem como a eclesiástica, atrapalha mais do que ajuda a igreja e a sociedade. Os políticos, em sua vasta maioria, pensam apenas neles mesmos, não estão interessados no bem-estar da população. Dentro das igrejas, há pessoas que querem apenas obter posição, a fim de tirarem algum proveito material. Pastores se digladiam nos tribunais, servindo de escândalo aos descrentes, buscando posição e benefícios financeiros. Precisamos cultivar a humildade, não se deixa levar por aquilo que Paulo denominou de “torpe ganância” (I Tm. 6.6). A lealdade não deve ser um fim para se conseguir atingir algum interesse particular. Jônatas, ao advertir Davi, a respeito dos riscos que corria, por causa das ameaças de Saul, estava cumprindo um desígnio de Deus, para o bem do povo de Israel (I Sm. 19.1-3; 20.11-17; 32.33). Precisamos aprender a cultivar a lealdade, sobretudo a Deus, a quem deveremos prestar contas no final. Nosso maior compromisso é com Ele, quem nos aprova na vida e no ministério (II Tm. 2.15). Como consequência, devemos ser leais ao próximo, buscar construir amizades duradouras, pautadas na lealdade.

CONCLUSÃO

Jônatas é um exemplo bíblico de lealdade, a ser seguido por todos aqueles que servem ao Senhor. Ele foi um amigo leal, alguém que reconheceu o propósito de Deus na vida de Davi, e por isso, se dispôs a servi-lo. Devemos ter esse mesmo sentimento, sabendo que nosso maior exemplo de lealdade continua sendo Jesus, pois Ele é o amigo que nos encontrou, perdoou os nossos pecados, e nos compreende, em todas as circunstâncias. Como diz o hino sacro: “achei um bom amigo, Jesus o Salvador, o escolhido dos milhares para mim”.

30/04/17: LIÇÃO 5 – JACÓ, UM EXEMPLO DE UM CARÁTER RESTAURADO

Texto Áureo  Rm. 9.13

Leitura Bíblica  Gn. 25.28-34; 32.24-27

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje estudaremos a respeito do caráter de Jacó, veremos que esse se tornou um príncipe de Deus, ainda que antes tenha sido um suplantador. A mudança no caráter de Jacó, conforme estudaremos na lição de hoje, somente se tornou possível porque esse teve um encontro com Deus. Quando nos deparamos diante dAquele que transforma vidas, nosso caráter é transformado. Destacaremos esses três momentos na vida de Jacó: o suplantador, o lutador e o príncipe de Deus.

1. JACO, O SUPLANTADOR

Jacó, cujo nome hebraico é Yakoov, significa “Deus protege”, foi um dos principais patriarcas da história de Israel. Ele faz parte da linhagem oficial dos patriarcas, sendo o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Ele era gêmeo com seu irmão mais velho Esaú, os dois digladiavam ainda no ventre da mãe (Gn. 25.22). Por ter nascido depois, e ter segurado no calcanhar do irmão ao sair, ficou reconhecido como “o suplantador”. A família de Isaque, como a maioria daquelas que conhecemos, era bastante problemática. Um pai que tinha favoritismo pelo filho mais velho, e uma mãe que tinha predileção pelo filho mais novo. Esaú, talvez pelo seu temperamento aguerrido, e voltado para a vida selvagem, chamava mais a atenção de Isaque. Jacó, era mais caseiro, e estava mais próximo da mãe. Apesar desses percalços, essa família se tornou uma benção na linhagem da história de Israel. Aprendemos, a partir dessa lição, que Deus pode trabalhar nas famílias, apesar das suas imperfeições. Essa era uma família na qual predominava o engano, e essa, ao que tudo indica, era uma prática comum entre eles. Rebeca, Labão, e o próprio Jacó, demonstraram estar acostumados às atitudes enganadoras. Essa é uma cultura que predomina em algumas famílias e acaba sendo naturalizada. Rebeca, a mãe de Jacó, tratou de enganar o próprio marido, a fim de que seu filho Jacó recebesse a benção, e o direito da primogenitura (Gn. 27.1-11). Esaú ficou furioso, ainda que não tenha dado o devido valor a primogenitura, e quis se vingar do Seu irmão, e perseguiu a fim de mata-lo (Gn. 27.41). O engano de um caráter maldoso traz implicações, e resultados diretos ou indiretos, que mesmo que sejam perdoados, podem carregar marcas, até ao final da vida.

2. JACÓ, O ENCONTRO COM DEUS

Por orientação da sua mãe, Jacó decidiu habitar entre os seus familiares, para não ser morto por Esaú. A vida daquele patriarca se tornou bastante complicada, ele mesmo passou a duvidar que Deus tivesse alguma aliança com ele. Mas para sua surpresa, em uma noite bastante angustiante, enquanto usava uma pedra como travesseiro, recebeu do Senhor um sonho, no qual o Deus de Abraão renova sua aliança com Jacó. Ele vê uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus, e os anjos subiam e desciam por ela. Ele concluiu que Deus estava reiterando Sua promessa, e que a aliança do Senhor estava com ele (Gn. 28.13-15). Naquele lugar, que anteriormente se chamava Luz, Jacó erigiu um altar ao Senhor, e reconheceu que aquela era a porta dos céus, portanto deveria se chamar Betel. Aquela foi uma demonstração de que Deus continuava agindo com graça e misericórdia, e não havia abandonado ao seu servo. A eleição de Jacó tanto tem um caráter individual quanto coletivo. No entanto, não podemos concluir que Deus desprezou Esaú apenas por um capricho. A eleição e a predestinação divina é um ato soberano, mas que considera o interesse humano pelo perdão. Todos receberam de Deus uma porção de fé, a fim de aceitaram ou rejeitaram a salvação de Deus. A vontade de Deus é que todos tenham pleno acesso à salvação, mas faz-se necessário que as pessoas se arrependam dos seus pecados. A igreja, assim como aconteceu com Israel, está predestinada à salvação, mas é preciso que cada um se arrependa dos seus pecados, e aceitem o sacrifício de Jesus na cruz do calvário, pela fé (Ef. 2.8,9).

3. JACÓ, O PRÍNCIPE DE DEUS

Jacó teve um encontro pessoal com Deus no vau de Jaboque, o patriarca lutou com o anjo do Senhor, e ficou marcado para sempre. Depois daquela batalha, ele passou a se chamar Israel, e não mais Jacó. Ele deixou de ser um suplantador, e ficou reconhecido como o príncipe de Deus. Podemos comparar o caráter de Jacó nessas duas circunstâncias, antes e depois de ter tido um encontro com Deus. Antes ele era um oportunista, planejou de forma fria e calculista com iria se apropriar do direito de primogenitura do seu irmão. Esaú chegou bastante cansado, certamente depois de um dia sem êxito. Ele se aproximou, e de forma interesseira, abordou: “vende-me hoje a tua primogenitura” (Gn. 25.31). Esaú não deu a devida seriedade àquela condição, e talvez não acreditava que fosse perder aquele direito por um prato de lentilhas. Mas Jacó sabia o que estava fazendo, por isso foi bastante enfático: “Jura-me hoje” (Gn. 25.33). Esaú, por sua vez, não deu o devido interesse àquele direito (Hb. 12.16). Jacó perseguiu aquele direito, pois sabia que se tratava de algo valioso. Mas aquele pacto não teria qualquer efeito, se o próprio Deus não o tivesse endossado. O encontro de Jacó com Deus foi definitivo para que seu caráter fosse transformado. Ele se tornou mais agradecido, e se dispôs a adorar a Deus, dispondo-se, inclusive, a dar o dízimo de tudo (Gn. 28.20-22). Seu caráter se tornou mais resignado, ele passou a enfrentar os desafios com mais resistência, tendo sido enganado por Labão, seu sogro. Jacó trabalhou bastante, tanto pela sua esposa, quanto para manter seus filhos. Por fim, teve que reparar sua condição de desavença com seu irmão Esaú, e para isso foi preparado pelo Senhor (Gn. 32.7-12).

CONCLUSÃO

Jacó é um exemplo do que Deus pode fazer na vida de uma pessoa, que outrora tinha um caráter vergonhoso. Aquele que era oportunista, mentiroso, enganador, e que confiava apenas na sua esperteza, depois de ter sido encontrado por Deus, mudou radicalmente. Ele passou a se fundamentar na verdade, a ser mais paciente diante das adversidades, e o mais importante, a confiar em Deus em todas as circunstâncias da vida. Cada um de nós, como Jacó, precisamos ter um encontro com Deus, a fim de que nossas vidas sejam definitivamente modificadas.

23/04/17: LIÇÃO 4 – ISAQUE, UM CARÁTER PACÍFICO

Texto Áureo  Gn. 17.19

Leitura Bíblica  Gn. 26.12-25

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje nos voltaremos para a narrativa bíblica a respeito de Isaque, e seu relacionamento com Deus. Inicialmente destacaremos que esse foi prometido a Abraão, quando já em idade avançada. Em seguida, atentaremos para o relacionamento do patriarca com seu filho, especialmente por ocasião do pedido de sacrifício. Ao final, ressaltaremos a benção de Deus sobre a vida de Isaque, para as orientações do Senhor a esse patriarca.

  1. ISAQUE, O FILHO PROMETIDO

Abraão e Sara, como muitos outros casais ao longo da Bíblia, tiveram que lidar com a esterilidade. Ainda que o patriarca tivesse recebido a promessa que se tornaria “pai de uma multidão”, o cumprimento da palavra não se deu imediatamente. Apesar de ter passado por momentos adversos, decorrentes de atitudes precipitadas, o patriarca aprendeu a esperar em Deus. Isso porque muito antes, quando Deus chamou Abraão, prometeu fazer dele uma grande nação (Gn. 12.1,2), que daria a terra de Canaã aos seus descendentes (Gn. 17.7), e que os multiplicaria (Gn. 13.15-17). A promessa do nascimento de Isaque, por causa da esterilidade de Sara, tornou-se algo engraçado, provocando riso ao ouvirem a mensagem divina. O nome Isaque, em hebraico, significa “riso”, esse foi o sentimento experimentado por Abraão e Sara. O patriarca estava com 99 anos de idade, e sara se aproximava dos 90. A Palavra de Deus pode parecer absurda, e às vezes, ir além da racionalidade humana, mas sabemos, pela fé, que podemos confiar nas promessas de Deus (Hb. 6.12). Sabemos disso porque Deus honrou a fé de Abraão, cumprimento no tempo certo sua promessa (Hb. 11.8-11). A Palavra de Deus sempre se cumpre, mas não no tempo dos homens, por isso faz-se necessário cultivar a paciência (Tg. 1.1-8). Nesse particular Abraão precisou amadurecer espiritualmente, por causa da precipitação dele e da sua esposa, decidiram que o patriarca teria um filho com a serva. Em termos aplicativos, o nascimento de Ismael, o filho de Abraão com a escrava, representa o nascimento carnal do ser humano. O nascimento de Isaque, por sua vez, representa o nascimento espiritual do crente. Essa alegoria, umas poucas na Bíblia, é construída por Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (Gl. 4.28,29), a fim de admoestar os crentes à santificação espiritual (Gl. 5.22).

  1. ISAQUE, UM FILHO A SER SACRIFICADO

Mas o filho prometido a Abraão foi pedido em sacrifício, para que Deus desse ao patriarca a oportunidade de amadurecer na fé. A prova é algo normal na vida dos crentes, e tem propósitos diversos: purificar nossa fé (I Pe. 1.6-9), aperfeiçoar nosso caráter (Tg. 1.1-4), ou proteger do pecado (II Co. 12.7-10). A prova de Abraão seria uma demonstração, para ele mesmo, da sua capacidade para confiar em Deus. O Senhor pediu ao patriarca que oferecesse seu filho em sacrifício, e esse obedeceu, crendo que Deus haveria de ressuscitá-lo (Gn. 22.5; Hb. 11.17-19). Abraão caminhou vários dias até chegar ao Monte Moriá, durante essa jornada teve a oportunidade de se aproximar de Deus. O Senhor permitiu que o patriarca cumprisse o ritual, amarrasse o filho e o preparasse para o sacrifício. Mas não que o sacrifício fosse consumado, pois Deus já havia provido um cordeiro para o holocausto (Gn. 22.14). É possível extrair algumas lições espirituais dessa relação entre o pai (Abraão) e o filho (Isaque), “ambos caminharam juntos” (Gn. 22.6), fazia-se necessário que o pai se desprendesse do filho (Gn. 22.16). Esse texto tem relação com Cristo, o filho de Deus, que foi sacrificado pelos nossos pecados. Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo. 1.29), Ele levou o fardo do pecado por nós (I Pe. 2.24). No que tange à prova de Isaque, há sempre um depois (Hb. 12.11; I Pe. 5.10), pois dela resulta o amadurecimento. De igual modo, precisamos estar cientes da realidade das aflições na terra, o próprio Jesus advertiu Sua igreja a esse respeito (Jo. 16.33). O sofrimento tem um caráter pedagógico, dependendo da maneira que for abordado, poderá oportunizar amadurecimento espiritual (II Co. 4.17).

  1. ISAQUE, UM FILHO PACIFICADOR

Isaque demonstrou ter aprendido com seu pai Abraão a viver em pais, principalmente em relação ao episódio da contenda entre os pastores desse patriarca e os de Ló (Gn. 13.5-18). O filho de Abraão foi um homem esforçado nos trabalhos, mas isso encodou os filisteus, que o perseguiam (Gn. 25.15,16). Quando mais era perseguido pelos invejosos, mais se dedicava a fazer aquilo que Deus havia projetado para sua vida. Às vezes, fugiu para outras localidades, direcionadas por Deus, para evitar conflitos (Gn. 26.17). Abrir poços era uma necessidade para aquele patriarca, considerando que a seca era uma realidade. Seus inimigos sabotaram os poços que ele mesmo cavou, a fim de preservar sua família e rebanho. Mas ele continuou abrindo novos poços, alargando o projeto de Deus para ele (Gn. 26.22-29). Aprendemos, com o caráter de Isaque, a desenvolver o fruto do Espírito, especialmente a virtude da pacificação. Eirene, em Gl. 5.22, é uma paz que se produz com Deus, através do Espírito Santo. Essa paz não é compreendida pelo mundo, pois as pessoas esperam o enfrentamento, principalmente diante das perdas materiais. Com Cristo aprendemos que a paz não depende das circunstâncias, antes está firmada nas promessas de Deus (Jo. 14.27). Devemos, portanto, fazer nosso trabalho, cumprir nossas obrigações, respeitar nossos empregadores, e esperar o resultado do trabalho (Ef. 6.5-8). Faz-se necessário esclarecer, no entanto, que os empregados agem em conformidade com as leis trabalhistas, e essas devem ser respeitadas tanto por empregadores quanto empregados. É nesse contexto que podemos ter a convicção de que se formos trabalhadores fieis, o Senhor, como fez com Isaque, nos dará o suficiente para viver, e com isso devemos ficar contentes (I Tm. 6.6-10).

CONCLUSÃO

A narrativa bíblica sobre a vida de Isaque é relevante não apenas para os judeus. Através desses capítulos de Gênesis, compreendemos os propósitos de Deus para a humanidade. Ele sempre cumpre suas promessas, seus planos jamais serão frustrados. E mais, sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo o Seu desígnio (Rm. 8.28). Faz-se necessário, portanto, crer contra toda descrença (Rm. 4.18-21), e se fundamentar na Palavra de Deus (Hb. 4.12), convictos da sua fidelidade, com esperança na mensagem profética (II Pe. 1.21).

16/04/17: LIÇÃO 3- Melquisedeque, o Rei da Justiça

Texto Áureo  Hb. 7.17

Leitura Bíblica  Gn. 14.18-19; Hb. 7.1-7

INTRODUÇÃO

Na aula de hoje estudaremos o caráter de Melquisedeque, um homem que fui usado por Deus para abençoar Abraão, depois de uma das suas mais importantes batalhas. Ainda que o patriarca tenha sido um exemplo de fé, passou por tempos de adversidades. Destacaremos, na segunda parte da aula, a figura de Melquisedeque, o sacerdote de justiça, e rei de Salém. Ao final, ressaltaremos que esse sacerdote prefigura Cristo, aquele que viria a oferecer um sacrifício perfeito, pelos pecados da humanidade.

1. A BATALHA DE ABRÃAO

Abraão não entrou na batalha por interesse particular, nem mesmo a fim de obter ganhos materiais (Gn. 14.22,23). O motivo da sua disputa foi a proteção do seu sobrinho Ló, que havia sido capturado, depois que este decidiu habitar em Sodoma (Gn. 13.10-13). Isso mostra que o patriarca não estava indiferente a realidade social na qual estava inserido. Ele sabia que as decisões humanas podiam afetar diretamente a realidade individual. De igual modo, devemos saber que as decisões políticas trazem implicações para a sociedade. Precisamos estar atentos ao que está acontecendo em nosso país, e cuidar para não ser conduzido pelos engodos da mídia. Abraão entrou em uma aliança com alguns príncipes da região, a fim de alcançar um propósito comum. Não estamos impedidos de fazer alianças, contanto que sejam éticas, e tragam benefícios para a coletividade (Lc. 10.25-37; Gl. 6.10). Abraão era um homem pacífico, mesmo assim se preparou para guerra, quando essa se fez necessária. A maior guerra do cristão é espiritual (II Co. 10.3-5), precisamos vencer o mundo através da fé (I Jo. 5.4), e nos revestir de toda armadura de Deus (Ef. 6.10-18). A principal arma do cristão é a Palavra de Deus, precisamos buscar a revelação do Senhor, a fim de destruir os sofismas humanos (II Tm. 3.16,17). Como soldados de Cristo, não podemos nos envolver com negócios deste mundo, nosso objetivo deve ser satisfazer àquele que nos arregimentou (II Tm. 2.4). Ao retornar da batalha, Abraão encontrou dois reis: Bera, rei de Sodoma, que ofereceu espólios da guerra, e Melquisedeque, o rei de Salém, que ofereceu pão e vinho. O patriarca rejeitou a oferta do primeiro, porque não queria ser influenciado pelos subornos do mundo.

2. SEU ENCONTRO COM MELQUISEDEQUE

O encontro de Abraão com Mesquisedeque está repleto de significados, para os quais devemos atentar. O nome desse sacerdote-rei significa “rei de justiça”, e Salem, ao que tudo indica, era a antiga Jerusalém, que quer dizer paz. Em Hb. 7 e no Sl. 110 Melquisedeque prefigura Jesus Cristo, o Rei e Sacerdote Celestial (Hb. 12.11). O oferecimento de pão e vinho a Abraão remete à celebração da Ceia do Senhor, em memória do Seu sacrifício na cruz (Mt. 26.26-30). O rei de Salém não era um ser angelical, muito menos Cristo encarnado, mas um homem justo, que desfrutava de intimidade com Deus. Ele se encontrou com Abraão para fortalecê-lo, depois de uma batalha. O patriarca, em gratidão aos cuidados sacerdotais, entregou o dízimo a Melquisedeque (Gn. 14.20). Essa é a primeira menção a essa contribuição nas Escrituras, procedimento que se tornou comum entre os judeus (Lv. 27.30-33). A entrega do dízimo continua sendo uma prática observada pela igreja cristã. Ninguém deverá ser coagido a fazê-lo, pois a gratidão deve ser a maior motivação, em reconhecimento pela providência divina (I Co. 16.1,2). O desprendimento de bens em prol do rei de Deus é também uma demonstração de que não estamos debaixo do reino de Mamom (Mt. 6.24). Essa é uma manifestação de que o dinheiro não é nosso deus, mas que confiamos no Senhor, e em sua providência. Através da sua fé Abraão se tornou um exemplo para todos aqueles que creem. Paulo destaca que o patriarca creu em Deus, e isso lhe foi imputado por justiça (Rm. 4.1-8). A fé é o firme fundamenta das coisas que se esperam, mas que não são vistas (Hb. 11.1), somos salvos pela graça, por meio da fé, não pelas obras da Lei (Ef. 2.8,9).

3. UM TIPO DO SACERDÓCIO DE CRISTO

Jesus é Sacerdote Eterno e Perfeito, da linhagem de Melquisedeque, isso porque os adeptos da religiosidade judaica eram incapazes de realizar plenamente o sacrifício (Hb. 7.19). O sangue derramado pelos animais não tornavam qualquer pessoa perfeita aos olhos de Deus (Hb. 10.1-3). Uma das restrições desse sacerdócio era que não poderia ser exercido por alguém da tribo de Judá (Hb. 7.14). Além disso, o sacerdote aarônico dependia apenas de um ritual religioso, que cumprisse os requisitos físicos e cerimoniais (Lv. 21.16-24). O sistema sacrifical judaico somente se tornou possível por causa de Cristo, o Sumo Sacerdote da tribo de Judá (Cl. 2.13,14; Hb. 7.18).  Ele é Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque (Hb. 7.21). Através dEle a questão do pecado foi resolvida definitivamente, não carecendo mais de derramamento de sague de animais (Hb. 7.22). Jesus é um Sumo Sacerdote, que diferentemente dos levíticos, não é imperfeito, e muito menos temporário. E porque Ele é também imutável (Hb. 7.24) e inculpável (Hb. 7.26) podemos confiar que ele intercede para sempre por nós (Hb. 7.25). Por causa dEle os cristãos podem se achegar a Deus em oração (Hb. 4.14-16). Ele nos oferece graça e misericórdia, de modo que se viermos a pecar, temos da parte de Deus, um Advogado (I Jo. 2.1,2). Quando confessamos nossos pecados Ele é fiel e justo para nos perdoar, e nos restaurar a comunhão com o Pai (I Jo. 1.9). Jesus, nosso Sumo Sacerdote, é perfeito para sempre (Hb. 7.28), e nEle podemos confiar que nossos pecados são perdoados, e temos livre acesso ao trono da graça.

CONCLUSÃO

Abraão teve um encontro profundo e pessoal com Deus, ao ser recebido por Melquisedeque. Esse sacerdote-rei de justiça prefigura Cristo, Aquele que se manifestou para trazer reconciliação do homem com Deus. Cada um de nós precisa ter um encontro com Deus, e se dispor a adorá-LO em espírito e em verdade (Jo. 4.24,25). Como Abraão, precisamos reconhecer que Deus é nossa maior riqueza, e nEle encontramos satisfação plena para as nossas vidas (Gn. 15.1), e as riquezas celestiais em Cristo Jesus (Ef. 1.7,18).

09/04/17: LIÇÃO 2- Abel, Exemplo de Caráter que Agrada a Deus

Texto Áureo: Hb. 11.4

Leitura Bíblica em Classe: Gn. 4.8-16

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje estudaremos a respeito do exemplo de Abel, um homem que decidiu adorar a Deus, e entregar a Ele suas o melhor da sua oferta. Aprenderemos que esse foi um verdadeiro adorador. Contudo, seu relacionamento com Deus provocou a inveja do seu irmão Caim, que o matou. Ao final, destacaremos que Abel é um modelo de todo para todo aquele que deseja agradar a Deus, e adorá-Lo em espírito e em verdade.

1. ABEL, UM ADORADOR

Abel era filho de Adão e Eva, sendo o segundo filho desse casal, cujo irmão mais velho era Caim. O significado do seu nome em hebraico havel é ‘fôlego’, ‘vapor’ ou ‘nada’. O autor da Epístola aos hebreus dá testemunho que ainda jovem Abel foi chamado de justo (Hb. 11.4), e mais que isso, por causa da sua morte, o seu sangue ainda fala. É digno de destaque que, com base em Gn. 4.2, atestamos que Abel foi o primeiro homem a morrer fisicamente. Nesse capítulo está escrito que Caim, seu irmão mais velho, ofereceu a Deus os frutos da terra, eqnaunto Abel teria oferecido uma ovelha. Deus se agradou do sacrifício de Abel, não apenas por se tratar da oferta de um animal, mas porque esse o entregou com dedicação ao Senhor. Mas o Senhor rejeitou o sacrifício de Caim, pois esse não a entregou com um coração sincero. Por causa da rejeição do seu sacrifício por Deus, Caim cometeu um crime, assassinando seu irmão Abel. A oferta de Caim eram frutos da terra, mas a rejeição de Deus da sua oferta modificou o seu semblante. Ele ficou tomado pela inveja de seu irmão, totalmente possuído por ciúme.  Abel e um exemplo de verdadeiro adorador, alguém que se desapaga dos seus bens, em favor do reino de Deus. Sua adoração é desinteressada, ele não desejava apenas obter benefícios do Senhor. Os crentes da geração atual precisam aprender com a adoração de Abel, e se entregarem com devoção ao Senhor, colocando aos seus pés suas próprias vidas, como sacrifício santo e agradável.

2. ABEL, UM INJUSTIÇADO

Abel foi injustiçado ao ser morto por seu irmão Caim, Deus permitiu que isso viesse a acontecer, mas não aprovou o ato do criminoso. Existem muitas mazelas que acontecem na sociedade, inclusive crimes que não são da vontade diretiva de Deus, Ele apenas os permite. A violência está se dissipando na contemporaneidade, o ser humano está cada vez mais embrutecido. Pior ainda, por causa da banalização da vida, estamos perdendo o senso de justiça, e nos acostumando com as atrocidades. Existem muitas pessoas de bem que cujas vidas estão sendo ceifadas prematuramente. Por causa da ganância, muitas pessoas estão sendo vítimas de assassinatos, a busca por bens materiais está pondo em risco o que há de mais valioso na terra: a vida humana. A injustiça da qual Abel foi vítima clama como exemplo para que venhamos a nos indignar com o descaso em relação à vida. As autoridades devem ser mais energéticas quando se trata da criminalidade, sobretudo quando esses são realizados de modo hediondo. Existe uma cultura da mortandade, os filmes e os jogos eletrônicos incitam essa prática, a começar pelos jovens que se acostumaram com essa prática. A impunidade faz com que as pessoas achem normal tirar a vida de quem quer que seja, pelos motivos mais banais e torpes. O sangue de Abel clama por justiça, a morte de muitos outros também, vida que são ceifadas na calada da noite, pais que trabalham para levar o pão para seus filhos.

3. ABEL, UM HOMEM QUE AGRADA A DEUS

Abel é o exemplo de um homem que agrada a Deus, pois sua oferta foi oferecida de todo coração. O problema não estava na oferta de Caim, no material que foi posto no altar, mas na atitude com a qual a depositou. O autor da Epístola aos Hebreus afirma que “pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim” (Hb. 11.4). O próprio Jesus deu testemunho da fé de Abel (Mt. 23.35), considerando-o “justo”. É digno de destaque que a oferta desse adorador também tinha uma dimensão profética, pois apontava para o sacrifício do “Cordeito de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29). A adoração de Abel nos deixa um exemplo a respeito de como devemos nos aproximar de Deus. Devemos fazê-lo com humildade, reconhecendo a grandeza do Senhor, e que Ele é digno do melhor. Paulo, ao escrever aos romanos, destaca que devemos apresentar nossos corpos, como sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor (Rm. 12.1,2). Existem muitos cristãos que não aprenderam o caminho para a verdadeira adoração, não devemos oferecer ao Senhor apenas os nossos pertences, precisamos dedicar-lhe nossas vidas. Ao fazer assim, estaremos demonstrando que nossas posses são apenas coisas que estão fora de nós mesmos, e que expressam o que há de mais valioso: a vida que o Senhor nos deu. Por isso, devemos, como ensinou Jesus a samaritana, adorar a Deus em espírito e em verdade, reconhecendo que Ele é nosso Provedor, e nada que venhamos a oferecer partiu de nós mesmos, mas dEle que antes decidiu nos dar (Jo. 4.24).

CONCLUSÃO 

Se quisermos agradar a Deus, assim como fez Abel, precisamos ser os adoradores verdadeiros, em conformidade com o ensinamento de Jesus (Jo. 4.24). Não podemos fazer restrições em relação ao que ofereceremos ao Senhor, Ele espera que nos entreguemos totalmente: corpo, alma e espírito (I Ts. 5.23), a entrega de nossos bens: dízimos e ofertas, é apenas uma demonstração de algo maior que aconteceu conosco, o reconhecimento da graça, o favor imerecido de Deus.

02/04/17: LIÇÃO 1- A Formação do Caráter Cristão

Texto Áureo: Gl. 5.20

Leitura Bíblica em Classe: Ef. 4.17-24

INTRODUÇÃO
No trimestre passado, estudamos a respeito das obras da carne e do Fruto do Espírito, ressaltando a necessidade do cristão andar no Espírito. Os desafios que nos são postos – e algumas vezes, impostos – requerem que os cristãos sejam, verdadeiramente, íntegros, com todo o cuidado para não serem levados pela onda do secularismo. Ao longo desse próximo trimestre, nos voltaremos para o caráter cristão, com vistas ao reconhecimento de nossa identidade como cristão. Para tanto, levaremos em conta o testemunho de alguns célebres servos e servas de Deus.
1. DEFINIÇÃO DE CARÁTER CRISTÃO 
A palavra “caráter” vem do grego e significa, literalmente, marca, sinal gravado, traço distintivo. Em relação ao cristão, diz respeito ao progresso espiritual do crente, na busca constante de transformação, tendo Cristo como maior exemplo a ser imitado (I Co. 4.16; 11.1; Ef. 5.1; Fp. 3.17; I Ts. 2.14; Hb. 6.12). Devemos lembrar que, nos tempos antigos, quando Deus se revelou a Abraão, exigiu, não menos que Ele andasse em Sua presença e que fosse perfeito (Gn. 17.1). Portanto, o alvo do crente não é outro, senão a perfeição absoluta, a qual somente se encontra em Deus. É claro que Deus responderá com graça ao longo da caminhada (II Co. 12.9), mas não admitirá que desistamos de buscar o padrão perfeito que exige de cada um de nós, para que venhamos, ao final, nos identificar com sua natureza em santidade (II Pe. 1.4). A meta do cristão, em todo o momento, é obter a “aprovação divina”, que é, em sua totalidade, a definição do caráter cristão. É possível que, para tanto, tenhamos que passar por muitas tribulações (Rm. 5.3), até que, ao final, recebamos, da boca do Senhor, a mesma aprovação, por Ele, atribuída a Jesus: “Este é o meu Filho, em quem me comprazo (Mt. 3.17). O maior modelo para o caráter cristão, é, sem sombra de dúvida, Cristo, cujos passos devem ser seguidos (I Pe. 2.21). A queda do homem o colocou numa condição de desaprovação diante de Deus. A esta condição humana, a Bíblia denomina de pecado (Rm 3.23). Em virtude disto, o homem, distanciado de Deus, encontra-se espiritualmente morto (Rm. 6.23), carecendo da vivificação do Espírito Santo (Rm. 8.12,13), pelo nascimento que vem de cima (Jo. 3.3).
2. O DESENVOLVIMENTO DO CARÁTER CRISTÃO
O caráter cristão, portanto, tem sua origem no ato da conversão, no momento em que o pecador se volta para Deus, despojando-se do velho homem e se revestindo de Cristo (Ef. 4.17-24). A fonte do caráter cristão, é, nesse sentido, Espírito Santo, o qual, produz, em nós e conosco, o Seu fruto (Gl. 5.22), fora dEle, ficaremos restritos às obras da carne (Gl. 5.19-21). Sendo assim, para que tenhamos um caráter genuinamente cristão, precisamos, a princípio, passar pela experiência do nascimento que vem de Deus, conforme explicitado por Jesus a Nicodemos (Jo. 3), e, depois disto, continuar “andando no Espírito”, não se deixando levar pelas concupiscências da carne (Gl. 5.16). O aprimoramento do caráter cristão é uma verdade fundamental do cristianismo (II Co. 3.18). Conforme ressaltamos no tópico anterior, isso não acontece por meio da força humana (Zc. 4.6), mas pelo Espírito de Deus (Gl. 5.16). Por isso, a Escritura nos instrui para que sigamos “a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb. 12.14) como também: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (II Co. 3.18). Como depreendemos dos textos em evidência, o desenvolvimento do caráter cristão não se dá de modo repentino, demanda tempo e, principalmente, contato permanente com Cristo (Jo. 15), a videira verdadeira, pois é enxertados nEle que podemos dar muitos frutos (v. 5). É assim que seremos perfeitos como o é Nosso Pai Celestial (Mt. 5.48), e Nosso Mestre (Lc. 6.40). Essa é a meta de todo cristão genuíno (Ef. 4.13; Fp. 3.12) que somente poderá ser alcançada, enquanto aqui estivermos, em amor (I Jo. 4.12). Em sua plenitude, a perfeição moral, ainda que deva ser nossa meta enquanto aqui estivermos, somente será alcançada no arrebatamento (ou ressurreição do corpo) quando o que é corruptível se revestirá da incorruptibilidade, então, seremos como Ele é (I Jo. 3.2). O mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19) e, enquanto estivermos na terra – no mundo físico -, precisamos crescer espiritualmente a fim de que não venhamos a entrar em sua fôrma – mundo espiritual regido por Satanás (Rm. 12.1,2), experimentando a sempre boa, agradável e perfeita vontade de Deus. As aflições do tempo presente (Jo. 16.33; Rm. 8.18) podem afetar o desenvolvimento, e, em alguns casos, desconstruir o caráter do cristão. Aqueles que têm uma caráter frágil, em meio às tribulações, são levados por todo vento de doutrina (Ef. 4.14), pelas forças das trevas (II Pe. 2.17), diferentemente daquele que ouve a voz do Espírito por meio da Palavra do Bom Pastor (Jo. 3.8; 10.16). Aquele que tem o seu caráter cristão desconstruído, que não ouve e não pratica a Palavra é comparado, por Tiago, “ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era” (Tg. 1.23,24).
3. O CULTIVO DO CARÁTER CRISTÃO
Todo cristão deva cuidar para não se voltar à apostasia (I Tm. 4.1; I Co. 10.12), pois, todo aquele que se distancia do Senhor, relutantemente, expõe Cristo novamente ao vitupério (Hb. 6.6). Fica aqui o alerta do profeta Jeremias para que não cavemos cisternas rotas que não retêm água (Jr. 2.13), pois todo aquele que se esquece do Senhor terá seu nome escrito no chão (Jr. 17.3), pois abandonou a fonte das águas vivas.O caráter cristão é produzido em contato com o Espírito Santo, para tanto, precisa ser cultivado ao longo do “andar com Ele” (Gl. 5.16). Eis aqui alguns dos princípios fundamentais para o cultivo do caráter cristão (do fruto do Espírito): 1) Leitura constante das Escrituras e de boa literatura cristã que nos confira o desejo de nos achegar, a cada dia mais, a Cristo, o padrão maior de perfeição; 2) Prática contínua da oração, não apenas com vista ao suprimento das necessidades materiais, mas, principalmente, para ter comunhão com o Senhor, relacionando-se com Ele; 3) Meditação, sintonizando o nosso espírito com o Espírito de Deus, acostumando à presença de Deus, para que, por meio da iluminação espiritual, cresçamos na fé; 4) Disciplina a fim de não perder de foco o alvo supremo da santificação no Espírito; 5) Vivência em amor, sabendo que nisto redunda a essência da espiritualidade (I Jo. 4.7,8). A título de ilustração, podemos apelar para a prática dos músicos que, mesmo dominado os instrumentos musicais com os quais trabalham, não se apartam deles, ensaiando, continuamente, a fim de que a execução se realize à contento. Caso um músico venha a negligenciar seu instrumento, cedo ou tarde, as pessoas perceberão que ele já não é mais o mesmo. Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores, dizia que não passava mais do que quinze minutos diários sem pensar em Deus. Portanto, para o pleno desenvolvimento do caráter cristão, devemos, como um músico, ou um atleta, exercitar, com disciplina (e amor), a experiência com Deus. Paulo chama a atenção de todos os cristãos para o exercício da piedade (I Tm. 4.8; 6.5,6,11), pois, através deste, a caminhada espiritual se tornará cada vez mais produtiva, sem que se constitua num fardo (Mt. 11.30).
CONCLUSÃO
Conta-se que um certo homem tinha um cão o qual, constantemente, costumava morder os vizinhos. Certo dia, o proprietário do cão fez uma mordaça e colocou naquele animal para que isso não mais viesse a acontecer. Felizmente, a fera deixou de morder a vizinhança, mas, para tristeza do dono, não deixou de correr atrás. A mordaça posta no focinho do cão não mudou sua natureza. Portanto, não podemos esquecer que o desenvolvimento do caráter cristão diz respeito, sobretudo, a uma transformação não apenas no exterior do indivíduo, mas, primordialmente, uma mudança interior, por meio da qual a natureza pecaminosa é subjugada pelo Espírito do Senhor (Rm. 6.6; Cl. 3.9).
COMENTÁRIOS: Pr. JOSÉ ROBERTO A. BARBOSA

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