Confirmado: partícula descoberta no Cern em julho é o Bóson de Higgs

Físicos do Cern afirmaram em uma conferência que não há mais dúvidas que se trata da chamada ‘partícula de Deus’

higgs

A dúvida, se é que ela existia, acabou: os físicos do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (na sigla em francês, Cern) anunciaram nesta quinta-feira (14) que após uma extensa análise de dados a partícula subatômica descoberta em julho de 2012 é realmente o Bóson de Higgs , previsto em teoria em 1964, e é considerado uma das peças fundamentais de formação do Universo.
A partícula, conhecida popularmente como partícula de Deus, faz parte do mecanismo que dá massa a toda a matéria, e ganhou seu nome por causa de Peter Higgs , um dos físicos que postularam sua existência.

No ano passado, os cientistas do Cern anunciaram a descoberta de uma partícula ‘parecida com o Higgs’, mas que não chegaram a confirmar que se tratava do Bóson com 100% de certeza. Mas hoje os físicos anunciaram em um comunicado em um congresso de Física nos Alpes italianos, após um análise cuidadosa de um ano de dados produzidos pelo Grande Colisor de Hádrons (na sigla em inglês, LHC) que sim, trata-se mesmo do Bóson.

Para mim está claro que estamos lidando com um bóson de Higgs, embora tenhamos ainda um caminho longo até saber que tipo de bóson ele é,” disse Joe Incandela, físico que chefia uma das duas equipes do Cern que lidam com o tema, cada uma com cerca de 3.000 cientistas.

A existência do Bóson confirma a teoria de que os objetos ganham seu tamanho e forma quando seus átomos e elétrons interagem em um campo de energia que contém bósons de Higgs. Quanto mais eles atraem esse campo, maior sua massa vai ser, de acordo com a teoria.

Mas, ainda está em aberto, segundo o comunicado do Cern, se este é o bóson esperado na teoria original ou se o mais leve de vários, como está previsto em outras hipóteses que ampliam o modelo de Higgs. Mas, por enquanto, está estabelecido que o Bóson de Higgs existe, de alguma forma.

A confirmação coloca o Bóson de Higgs, seus teóricos e descobridores como concorrentes fortes ao Nobel de Física deste ano, mas ainda não se saberia se ele iria apenas para Peter Higgs e seus colegas proponentes da teoria, ou para os milhares de cientistas do Cern, ou se para todos eles.

A busca pelo Higgs motivou a construção do acelerador de partículas LHC, que custou 10 bilhões de dólares (cerca de 20 bilhões de reais), que funciona em um túnel subterrâneo de 27 quilômetros de circunferência na fronteira entre Suíça e França. Ele gera colisões de partículas subatômicas em alta energia para determinar como estas adquirem massa.

Fonte: Ig

Anúncios
por Professor Leandro Aguiar Fernandes

Novo acelerador de partículas custa R$ 650 mi

f_155779

Projeto brasileiro para a construção do “Sirius” começa nos próximos meses em Campinas (SP); tecnologia permitirá novos estudos.

As obras para a construção do novo acelerador de partículas brasileiro devem começar nos próximos meses no LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), em Campinas, no interior de São Paulo. O equipamento de terceira geração foi batizado de Sirius.
O projeto está em fase de finalização. A estimativa é de que o valor total fique em torno de R$ 650 milhões. O investimento será bancado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e outros parceiros públicos e privados. O governo de São Paulo contribuiu com a desapropriação de um terreno de 150 mil metros quadrados.

O Sirius é apresentado como o principal projeto científico desenvolvido no País. A expectativa é de que, quando estiver pronto, em 2016, o acelerador de partículas se transforme em atrativo para renomados cientistas internacionais, o que contribuiria para a troca de conhecimento com os jovens brasileiros.

O diretor do LNLS, Antonio José Roque da Silva, destacou a importância do novo acelerador. “Ao construirmos um equipamento que terá uma das tecnologias mais modernas de todo o mundo, pesquisadores de outros países terão interesse em trazer seus estudos para o Brasil”, conta.

Desde 1997, o País tem em funcionamento um acelerador de elétrons de segunda geração no LNLS. “O Sirius será uma terceira geração e possibilitará estudos que no momento não podemos desenvolver. Será um ganho de benefícios para várias áreas”, explica Roque da Silva.

Função do novo acelerador
O Sirius ampliará a capacidade de emissão de radiação com maior brilho proveniente da aceleração de elétrons (luz síncrotron). O equipamento também permitirá elevar a faixa de alcance de raios X duros, o que possibilitará penetrar em estruturas mais espessas.

“O novo acelerador oferecerá condições melhores de estudo”, diz Roque da Silva. “Com a energia mais alta, conseguiremos penetrar em materiais que não conseguimos estudar hoje, como cimento e o aço. Esses resultados permitirão a construção de análises com imagens tridimensionais”.

Cronograma de obras
De acordo com o diretor do LNLS, as obras de limpeza e terraplanagem devem ser realizadas a partir de abril. “Estamos dentro do prazo. Primeiro teremos a limpeza do terreno. Em agosto ou setembro vamos iniciar a fundação do prédio. O método construtivo do piso ainda será definido”.

O piso, aliás, é o ponto que falta para a conclusão do projeto. Roque da Silva contou que o acelerador terá 518 metros de perímetro (veja mais detalhes no vídeo abaixo) e precisará de um piso sem vibrações. “Estamos entre dois protótipos: o inglês e o sueco”.

“A previsão de conclusão é para 2016, na metade ou meio do ano. Mas o objetivo é abrir em 2017”, explica Roque da Silva. “Antes de abrir, porém, precisaremos fazer os condicionamentos necessários para permitir que o local fique apto para os cientistas.”

Aplicações da luz síncrotron
De acordo com Roque da Silva, existe um grande desconhecimento dos benefícios que podem ser alcançados com a luz síncrotron. “Os estudos podem apresentar soluções para os problemas da indústria. Temos a missão de transmitir isso para as empresas. Temos uma conversa com a Petrobrás, que poderia se beneficiar com estudos para a exploração do pré-sal”.

Com a luz síncrotron é possível penetrar em estruturas e fazer imagens tridimensionais sem causar danos. “A arqueologia ou a paleontologia podem se beneficiar para estudar fósseis sem a necessidade de danificá-los”, analisa Roque da Silva.

O diretor ainda aponta outras áreas de estudo. “Existe uma vasta gama de pesquisa que envolve aplicações ao petróleo, gás, parte biológica, plásticos, estrutura de proteínas ou imagens de tecidos da área médica”.

Comparação com o LHC
Quando se fala em acelerador de partículas, muitos se remetem ao LHC na Europa, construído no Cern (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares) e que descobriu o Bóson de Higgs. A finalidade do acelerador brasileiro, no entanto, é completamente diferente.

Roque da Silva explica os objetivos. “O LHC tem como meta acelerar partículas para colisão com determinada intensidade para entender a estrutura fundamental da matéria, caminhando para o começo do entendimento do após o Big Bang. O síncrotron não vai gerar uma colisão como o LHC. Nossa função é acelerar elétrons para gerar radiação para ser aplicado em estudos, como fazer imagens tridimensionais de objetos”.

Fonte: UOL

por Professor Leandro Aguiar Fernandes